Decreto reconhece a crise enfrentada pelos produtores e amplia a atuação do Município na busca por crédito, renegociação de dívidas e apoio à continuidade das atividades rurais.

O Município de Ibiá declarou situação de emergência econômica no setor agropecuário. A medida consta no Decreto Municipal nº 6.993, de 13 de agosto de 2026, publicado hoje no Diário Oficial dos Municípios Mineiros.

A decisão foi fundamentada em dados oficiais, relatórios econômicos, laudos agronômicos e documentos apresentados pelo Sindicato dos Produtores Rurais de Ibiá. Os levantamentos demonstram um quadro acumulado de dificuldades no campo, provocado pela queda das margens de produção, aumento dos custos, preços insuficientes, dificuldades de comercialização, perdas financeiras e crescimento do endividamento.

A crise também está relacionada à sucessão de geadas, períodos de seca, granizo, vendavais e chuvas irregulares, além dos custos elevados com insumos, energia, combustíveis, mão de obra, arrendamento e crédito rural.

O decreto abrange todo o setor agropecuário de Ibiá, incluindo as produções de soja, milho, feijão, trigo, sorgo, café, alho, cebola, batata, cenoura e demais hortaliças, abacate, laranja e outras frutas, além da pecuária leiteira e de corte.

Os números demonstram a importância do setor para a economia do município. Em 2024, somente as culturas de café, soja, milho e sorgo movimentaram aproximadamente R$ 619,8 milhões, o equivalente a 74,3% do valor de todas as lavouras de Ibiá.

“O produtor rural está enfrentando custos muito altos e, em muitos casos, recebendo pela produção um valor abaixo do necessário para pagar as despesas. O decreto reconhece oficialmente essa realidade e oferece um importante suporte documental para os pedidos de prorrogação, renegociação e acesso às linhas de crédito existentes. Vamos manter o diálogo com os produtores, entidades e instituições financeiras para apresentar as necessidades de Ibiá e buscar alternativas”, explicou o secretário municipal de Agricultura e vice-prefeito, Felizbeto.

A partir do decreto, o Município poderá fornecer certidões, declarações, relatórios e outros documentos públicos para auxiliar os produtores em requerimentos apresentados a bancos, cooperativas de crédito, órgãos públicos, credores, fornecedores e demais instituições.

A administração municipal também poderá realizar reuniões com representantes dos governos Estadual e Federal, instituições financeiras, cooperativas e entidades do setor, buscando linhas de crédito, programas de renegociação, melhores condições de comercialização e outras medidas de apoio.

“Quando o campo enfrenta dificuldades, toda a cidade sente os efeitos. A produção rural movimenta o comércio, gera empregos, renda e recursos para o município. Este decreto é uma decisão responsável, tomada com base em estudos e documentos técnicos. Vamos usar esse instrumento para representar os produtores de Ibiá e buscar condições para que possam reorganizar suas obrigações, manter os empregos e continuar produzindo”, afirmou o prefeito Gillianno Mamão.

A declaração não suspende nem renegocia automaticamente as dívidas dos produtores. Cada pedido deverá ser analisado individualmente pelas instituições responsáveis, conforme as regras aplicáveis. A medida também não se confunde com situação de calamidade pública ou emergência relacionada à Defesa Civil.

O decreto terá validade de 180 dias, contados a partir de sua publicação, e poderá ser prorrogado caso permaneçam as dificuldades que motivaram a declaração.

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